Nerve: Um Jogo Sem Regras chegou aos cinemas em um momento perfeito, justamente quando o fenômeno do Pokémon Go estava no seu auge e todo mundo estava pirando na ideia de um jogo que, de certa forma, transforma o seu mundo. A história de Nerve segue essa linha, aqui existe um tipo de “jogo social”, onde as pessoas podem se cadastrar para participar como jogadores, ou apenas assistindo.

Como o Nerve (nome desse jogo) é o elemento mais importante do filme, vou tentar explicar melhor como ele funciona. Ele acaba sendo muito mais um aplicativo, ou uma rede social do que um jogo em si. As pessoas que se cadastram pra jogar começam a receber desafios de quem está assistindo, e se você cumprir dentro do prazo (sempre poucos minutos), você recebe uma quantidade de dinheiro direto na sua conta bancária. Esses desafios começam com coisas como beijar um desconhecido na rua, e vão ficando cada vez mais complicados – e pagando melhor. Só que caso você falhe em algum desafio, ou desista, você perde todo o dinheiro que tinha conquistado, então não, não é uma forma divertida de ganhar algum dinheiro como parece no início.

A protagonista do filme é a Vee (Emma Roberts), uma menina que está saindo da escola para ir pra faculdade, que é tímida, apaixonada pelo cara popular, que tem seus bons amigos mas que a maioria das pessoas nem notam que ela está ali. Pois é, não é um papel original, mas pelo menos é bem feito, e ela consegue passar aquele jeito de menina meio esquisitinha, sem ser só truque de pegar qualquer atriz linda, colocar um óculos, prender o cabelo e pronto. Mas pra mostrar que ela pode ser radical sim, ela começa a jogar Nerve, e a partir dai que tudo vai acontecendo, inclusive é assim que ela vai conhecer o Ian (James Franco), outro jogador que vai seguir com ela durante o filme.

Uma coisa interessante é a mudança de tom do filme, que começa como algo divertido e cada vez mais vai ganhando um clima de suspense, quando as coisas vão ficando mais pesadas e você fica sem saber o que esperar. As vezes eu acho que o filme chega a se levar a sério demais sem necessidade, ele poderia ir um pouco menos para essa linha que funcionaria melhor. Outro elemento interessante é a linguagem, ou a forma como várias coisas que fazem parte da nossa rotina são retratadas. O filme já começa mostrando a Vee utilizando Spotify, Gmail e Facebook, e os de verdade mesmo, você acaba conseguindo se identificar muito mais com os personagens e com o filme em si pela forma que isso é retratado. Eu só queria ter também esses celulares com bateria infinita que todo mundo aqui tem.

O ponto que mais me incomodou no filme, além dos atores de 25~30 anos vivendo adolescentes, é o final, que acabou sendo decepcionante. Mas não, não é nenhum plot twist que vai te fazer se arrepender de ter perdido seu tempo assistindo, só que o filme vai perdendo ritmo na parte final, e acaba sendo o momento mais fraco dele.

Nerve é um filme divertido, atual, e feito especialmente para o público mais jovem, com muita coisa pra se identificar ali no meio. Ele consegue trazer uma história de suspense de uma forma mais light, e mesmo que a conclusão não seja das melhores, continua sendo agradável de assistir. E caso algum jogo do tipo apareça de verdade, nem fodendo eu participo disso.

> Vale a pena assistir?

Se você é adolescente, vale bastante, ele foi feito pra você. Se você já é mais velho, vale a pena assistir se estiver procurando algo leve e que vai te entreter, mesmo que você não vá mais lembrar do filme daqui a uns 3 meses. Mas se você não tem interesse nessa temática mais moderna de redes sociais, YouTube e não tem paciência pra “geração olhem pra mim”, melhor deixar pra lá.

> Tem na Netflix?

Não, o filme saiu dos cinemas tem pouco tempo.

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