Mãe! tem sido considerado o filme mais polêmico do ano. Seja pela reação dividida de ame ou odeie, pelo que ele representa ou simplesmente pelo filme como um todo, ele é polêmico não só pelo que ele causa, ele é polêmico porque foi feito para ser justamente isso, e ser polêmico muitas vezes é a única coisa que um filme consegue entregar, já que pra isso não se precisa de qualidade, só precisar ser, veja só, polêmico. É o choque pelo choque, é a representação deturpada de algo, quase sem sentindo e geralmente sem profundidade, é o dedinho mindinho levantado enquanto se tenta achar o significado na arte, mesmo se for um borrão na parede. E que borrão que é esse filme.

É até difícil chamar Mãe! de pretensioso, quando ele nem parece estar se esforçando pra entregar nada. Ele começa bem, de verdade, existe uma aura de tensão, onde tudo no filme é bem incômodo, mesmo quando nada demais está acontecendo, sempre existe aquele sensação angustiante de que tem algo de errado ali.

Os primeiros acontecimentos estranhos são sim instigantes, incomodam na medida certa e te fazem querer entender o que está acontecendo. Só que pouco depois as coisas só ficam estranhas mesmo. Tão estranhas que você para de se importar com as coisas estranhas. E é ai que o filme fica simplesmente chato, cansativo, não indo a lugar nenhum, se repetindo no seu mesmo ciclo de estranheza. Até chegar a parte final, que vem como um caminhão carregado de WTFs, atropelando tudo por motivos de “wow, você não esperava por isso hein”. Ai acaba.

Sem brincadeira, tinham sete pessoas além de mim no cinema, e ainda assim duas foram embora antes do filme terminar. Se eu fosse mais esperto, teriam sido três.

É definitivamente um filme que não é feito só pra assistir. É pra se pensar sobre, procurar informações, explicações, ler e elaborar as próprias teorias. Mas o problema é que a experiência de assistir acaba sendo tão frustrante e entendiante que quando acaba, você não quer mais saber de ir atrás de nada disso. Na verdade, chega um ponto do filme que você nem se importa mais em entender, só quer que acabe logo.

Tem vezes que você acaba de assistir algo e vai atrás de vídeos/artigos explicando o final. No caso de Mãe!, vai ter que ver também um explicando o meio, e outro explicando o início. É uma suruba de metáforas. Sim, existe um significado por trás das maluquices do filmes, é tudo a representação e reconstrução de algo – que eu não vou comentar porque não quero dar spoilers aqui, mas não é nada que você não consiga perceber assistindo, mesmo que não por completo. Mas vou deixar um vídeo no final que explica tudo, já que sempre vai ter uma coisa ou outra que passa sem perceber.

O ponto é, não é porque é uma metáfora, porque representa outra coisa, que automaticamente faça ser bom, engenhoso, inteligente ou sequer profundo. Quando se entende todas as referências e o que o filme quer mostrar, não sobra uma mensagem, um sentido, na verdade não sobra nem um bom filme. As atuações são ótimas, toda a parte técnica e de produção é boa, não é falta de competência, é falta de conteúdo. E pra terminar, o filme ainda recorre a cenas bem pesadas e grotescas, que estão ali só pra chocar mesmo e completar o pesadelo. Um pesadelo de duas horas que parecem oito.

Em uma época onde o argumento é achar que quem não gosta é burro, ou não entendeu, eu digo com convicção que eu prefiro ser burro do que achar esse filme bom.

> Qual é a história?

Um casal está em vivendo em uma casa isolada, onde o marido busca inspiração para escrever o seu próximo livro, até que alguns visitantes começam a aparecer na casa. E o resto você provavelmente vai ler explicações na internet e fingir que entendeu sozinho depois.

> Vale a pena assistir?

Se você é audacioso, gosta de experimentar filmes completamente fora da casinha, mesmo quando as chances de se decepcionar são enormes, vá em frente. Mas se quer minha opinião pessoal, qualquer outra coisa que você faça vai ser um melhor investimento do seu tempo. É muito ruim. Eu paguei pra ver no cinema, e pagaria o triplo pra desver.

* Clique para conhecer o nosso Sistema de Avaliação.

> Trailer:

> Explicando o filme:

Vídeo bem legal do canal Abaixo da Crítica, explicando todas as metáforas do filme. Obviamente é lotado de spoilers, não veja antes de ter assistido ao filme.

Gostou? Compartilhe: