Kingsman é uma franquia safada, e que consegue ser safada de um jeito bem legal. O primeiro filme pegou todo mundo de surpresa, você vai esperando mais um filme de espionagem qualquer, e de repente tá lá Colin Firth arrebentando uma galera na porrada, usando um guarda-chuva. Rebelde e sem vergonha nenhuma de todos os seus absurdos, Kingsman foi um sopro de criatividade no gênero. Uma guardachuvada na cara de criatividade. Então a sequência tinha a missão de manter esse espírito e também de manter o nível, expandindo o universo – e dessa vez sem a carta da surpresa do seu lado. E foi bem sucedido nisso? É, mais ou menos.

Kingsman: O Círculo Dourado realmente expande o universo da franquia, introduzindo os Statesman, o braço americano da organização secreta, com chapéus de cowboy, armas desnecessariamente grandes, bebidas e todo o estilo “hell yeah” de vida, que foi uma ideia, pra mim, espetacular para uma sequência. O problema é, parece que pegaram todas as ideias que tinham e colocaram ali juntas, sem perder muito tempo em filtrar e desenvolver melhor elas.

 

 

Uma forma deixar isso mais claro, é falando dos personagens. O Círculo Dourado tem os personagens principais do primeiro filme, mais alguns personagens ressuscitados do primeiro filme e também a volta de personagens pequenos do primeiro filme, que você não esperava ver de novo. Nisso você adiciona agora Channing Tatum, Pedro Pascal, Jeff Bridges, Julianne Moore, Halle Berry e mais alguns personagens menores. E Elton John, como ele mesmo. O resultado é um filme mais longo do que deveria, e que mesmo assim não consegue aproveitar nem metade do elenco. E ainda arrumaram espaço pra uma versão do Trump, abrindo a temporada de filmes onde a figura do presidente americano deixa de ser o cara que pilota o próprio avião, mata os bandidos, fala frases de efeito e salva o mundo, para um completo idiota que não tem ideia do que está fazendo. Já sinto saudades da versão antiga.

 

 

Só que o charme do primeiro filme ainda está lá. É um charme reciclado, mas ainda funciona. Enquanto o filme vai empilhando ideias, junto com suas piadinhas e cenas de ação deliciosamente exageradas pra tentar manter o ritmo, é no ato final que ele se encontra, quando deixa boa parte do excesso de novidades e personagens de lado, conseguindo se focar em uma coisa só, como deveria ter feito desde o início, e fazendo isso bem. E ai meu amigo, é pura diversão. Nível “Elton John dando voadora na cara de vagabundo” de diversão. Não chega a existir um equivalente à cena da igreja do primeiro filme, mas chega quase lá. E com uma cena em um festival de música pra mostrar que ainda existe rebeldia na franquia.

O Círculo Dourado é uma sequência que parece que teve mais entusiasmo no início da produção do que no processo de transformar todas as ideias em um filme mesmo. Mas a base construída pelo primeiro é sólida o suficiente pra mesmo uma versão mais morna continuar funcionando.

> Qual é a história?

Após sofrer um ataque que acaba com a Kingsman de Londres, os sobreviventes conhecem a versão americana da organização, os Statesman, se unindo para combater a nova ameaça mundial. E pra se vingar também, claro.

> Vale a pena assistir?

Kingsman: O Círculo Dourado cumpre o seu papel como uma boa expansão pra franquia, mesmo não sendo o seu melhor capítulo. Pode não conseguir entregar tanto quanto o primeiro filme, mas o que ele entrega continua sendo divertido e totalmente sem vergonha. Sorte nossa.

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> Trailer: