Stephen King está em alta.

É, eu sei que na verdade adaptações dos livros do autor nunca realmente saíram de moda, ganhando séries e filmes com uma frequência assustadora, mas um dos maiores mestres do terror não merecia menos. O remake de It foi um sucesso absoluto, só que nos últimos meses tivemos também a versão cinematográfica de A Torre Negra, e uma nova série de O Nevoeiro, ambos longe de alcançar a fama e qualidade do retorno do palhaço Pennywise. E entre esses altos e baixos, surge Jogo Perigoso (Gerald’s Game), a nova aposta da Netflix.

Jogo Perigoso é uma proposta simples e mais direta ao ponto, ou pelo menos é o que ela dá a entender de cara. O filme se passa quase que totalmente dentro de um quarto, onde a protagonista, algemada na cama durante uma tentativa de brincadeira safadinha de casal que acabou dando muito errado, precisa sobreviver e arrumar um jeito de sair dessa situação. Mas o filme tem muito mais temas a serem discutidos do que isso, Jogo Perigoso é um filme sobre superação, traumas, problemas na relação, abuso infantil, relacionamento abusivo e sobre kobe beef, que custa 200 dólares a porção.

 

 

A dinâmica da protagonista, sozinha e presa durante o filme (quase) todo é complicada de se acertar, mas o filme consegue pelo menos chegar perto disso. Existe o uso de flashbacks para explorar o passado e os traumas da personagem, mas na maior parte do tempo ela está ali no quarto presa, o que muda é a parte do sozinha.

Existe a interação dela conversando com o “fantasma” do marido e com ela mesma, quase que em uma relação do capetinha e do anjinho, um em cada ombro. Com a diferença que os dois são só ela pirando mesmo. E ainda tem um cachorro ali, fazendo algo completamente repulsivo durante o filme, mas ele está lá. Além de uma aparição bizarra que também vai lá fazer companhia pra ela durante a noite. Esse quarto isolado é mais frequentado que o meu.

Mas mesmo com tudo isso, a história ainda dá uma arrastada em alguns momentos, até porque nem todos os temas presentes no filme são tão bem explorados assim. E essa situação minimalista acaba adicionando uma dificuldade a mais pro próprio filme, já que você sempre vai estar analisando muito bem cada atitude tomada (ou não tomada), e os pequenos furos que você deixaria passar normalmente acabam ganhando um peso maior aqui. Eu mesmo ainda não estou muito confiante se a solução que ela achou para se hidratar realmente funcionaria, e você também vai fazer vários questionamentos desse tipo durante o filme. Aquela cama nem parece tão firme assim.

 

 

A tensão existe de qualquer forma, e mesmo quando você estiver cansado do ritmo, ainda consegue te manter instigado para pelo menos saber como (ou se) ela vai sair dessa situação.

Se muitos temas, possibilidades e teorias são levantados durante o filme, no final ele se torna bem expositivo, com uns bons minutos dedicados a explicar tudo que estava acontecendo. Explica até coisas que você talvez nem tenha percebido que estava acontecendo, e explica tanto que chega a te deixar confuso. Talvez você tenha que procurar a explicação da explicação depois de assistir. E se esses 15 minutos finais acabam seguindo uma direção um pouco decepcionante, os outros 15 minutos antes deles ainda compensam. E que fique que fique o aviso aqui, existe umas cenas visualmente fortes em Jogo Perigoso, com uma em especial que meu amigo, fez meu estômago dar uma revirada nervosa aqui. Vá preparado, e não é vergonha nenhuma desviar um pouco o olhar da tela as vezes.

> Qual é a história?

Com o relacionamento em crise, um casal faz uma última tentativa de acertar as coisas, indo para um fim de semana romântico em uma casa sem mais ninguém por perto. Durante uma tentativa totalmente frustrada de uma brincadeira safadinha entre eles, o marido sofre um ataque do coração, e a esposa fica presa, algemada na cama, sozinha e sem seu rivotril, precisando sobreviver e encontrar uma saída pra situação.

> Vale a pena assistir?

Jogo Perigoso figura entre as boas adaptações do Stephen King. Tenso e abordando temas importantes, o filme pode dar uma arrastada aqui e uma tropeçada lá, além de não realmente precisar do que é feito nos minutos finais, mas ainda consegue entregar uma boa experiência. E por boa experiência quero dizer angustiante, aflitiva e até repulsiva em certos momentos, do jeito que você espera.

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> Trailer:

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