Bronson é um filme britânico independente, lançado em 2008 e que conta a história verídica de “Charles Bronson”, o prisioneiro mais violento e caro do Reino Unido. Com Tom Hardy no papel principal, o filme foi uma produção bem baratinha (230 mil dólares), mas com bastante personalidade, e que conta a história de um jeito único.

Bronson mostra a vida de Michael Peterson, um garoto que teve a infância problemática e que foi preso aos 19 anos, quando tentou assaltar uma agência dos correios. A pena seria de 7 anos, mas Michael acabou passando 34 anos na prisão, sendo 30 na solitária. O filme mostra essa transformação de Michael Peterson em Charles Bronson, como ficou conhecido por onde passava.

Charles Bronson da vida real e Tom Hardy no filme.

Tom Hardy faz um trabalho excelente nesse filme, até porque é o clássico “papel de Tom Hardy”, que é ser um cara estranho, que não fala muito e extremamente agressivo. Se você já achou que o ator estava um animal em Guerreiro, vai se surpreender ainda mais aqui. Ele ganhou 19 quilos para conseguir o físico de Charles Bronson, fazendo2.500 flexões por dia, ou pelo menos é o que a internet diz.

A narrativa do filme é única, tendo dois lados diferentes. A primeira é a tradicional, mostrando tudo que vai acontecendo na vida do protagonista, sem muita diferença do que se vê por ai. Só que a história vai sendo contada pelo próprio Bronson (quer dizer, pelo personagem, não o prisioneiro real), o que rende momentos de monólogos com a câmera, e outros em que a narrativa é apresentada como um espetáculo, onde Charles Bronson vai narrando os acontecimentos para a platéia como se fosse uma peça de teatro, com direito a uma cena vestido de palhaço que puta merda, ainda tenho pesadelos com aquilo. Vou poupar vocês dessa imagem.

Sempre pensei que Bronson seria um filme MUITO violento, mas na verdade não é. Existe alguma violência no filme, claro, mas bem abaixo do que eu esperava, nada que seja chocante, é até leve nesse aspecto. Porém, isso só serve para a parte da violência mesmo, porque não é um filme leve, e ele vai te chocar de outras formas. Primeiro, existe muita nudez no filme. E sim, nudez do protagonista. Eu já sabia que isso iria acontecer, mas achava que era de maneira bem menos explícita, na primeira cena do filme já acontece, mas ainda de forma “disfarçada”. Eu achei que ficaria por ai, mas não, existem vários outros momentos bem mais gráficos, então vá preparado para ver um pinto balançando durante algumas cenas de brigas, porque você vai ver.

Além desse detalhe, a temática do filme é pesada, ainda mais por ser contada exatamente pelo ponto de vista de Charles Bronson. É um filme bem artístico, a fotografia é muito bonita, a trilha sonora é excelente, tem esse lado de mostrar muita coisa como um espetáculo, ou com o ponto de vista positivo do protagonista (que por exemplo, considerava as prisões como hotéis), e isso tudo acaba dando uma suavizada. Mas é como colocar queijo nos legumes para seus filhos comerem, dá aquela enganada, mas no final eles ainda vão estar comendo legumes, e isso serve pra cá também, no final do filme você ainda vai sair “pesado”, mesmo com todos os elementos colocados pra você não perceber isso.

O filme tem uma aprovação boa, com 76% de recomendações positivas no Rotten pela crítica, e 74% pelo público, o que é o reflexo exatamente do que o filme é, um bom filme, mas que não é pra todo mundo. Mas se for pra você, vai ter muito o que se aproveitar aqui.

> Vale a pena assistir? Vale, o filme é bom, mas é difícil de recomendar. Tem um lado artístico forte e é um filme com uma temática pesada, então se isso não for problema pra você, ou se você quiser assistir algo diferente, vá em frente.

> Tem no Netflix? Sim.

> Seguro ver acompanhado? Não, nem um pouco. De nudez até cena escatológica, provavelmente tudo que você pensar que poderia ser inapropriado, tem aqui.

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