47 Ronins (ou sem o s, no nome original) é um filme lançado no final de 2013, baseado na lenda japonesa de mesmo nome, que já recebeu outras adaptações para o cinema, mas essa é a primeira vez que aparece como uma superprodução. Com nosso querido Keanu Reeves no papel principal, o filme teve um orçamento de 225 milhões de dólares (175 pro filme, e 50 pro marketing), e com muito custo conseguiu fazer apenas 151 milhões, se tornando um dos maiores prejuízos na história do cinema, e deixando a Universal no vermelho naquele ano.

O filme conta a história de Kai (Keanu Reeves) um mestiço que foi encontrado e resgatado quando ainda era criança pelo senhor da região de Ako, mas que sempre sofreu aquele bullying pelas outras pessoas do local. Anos depois, lorde Asano (o senhor de Ako) acaba sendo manipulado pelo lorde Kira (senhor de outra região) com ajuda de uma feiticeira, o que acaba resultando na sua morte, e na desgraça de Ako, que fica sobre o domínio de Kira e seu exército.

O filme mostra a luta de Kai e dos outros samurais de Ako, agora sem um senhor para servir (o que faz com que eles sejam considerados “ronins”, e não mais samurais) para matar Kira, acabar com seu exército e vingar o seu senhor. E ainda com umas historinha de amor meio forçada ali no meio.

47 Ronins sempre foi criticado, mas ao mesmo tempo eu sempre tive interesse em assistir, pensava que não tinha como ser tão ruins, já que tem elementos divertidos ali, então aproveitando que o filme apareceu na catálogo da Netflix, fui ver ainda com alguma esperança, mas realmente eu estava enganado, ele merece todas as críticas que recebeu.

Keanu Reeves pode não ser considerado o melhor ator de Hollywood, mas eu gosto dele, é um cara legal, meio triste, que anda de metrô e que curte pandas. Fora que geralmente faz filmes no mínimo divertidos de se assistir. 47 Ronins ainda se passa em um universo que acho muito interessante, o Japão feudal, e ainda uma versão dele com demônios, magias e lutas de samurais contra criaturas fantásticas, mas mesmo com tudo isso, o filme não empolga.

O começo é lento, todas as informações e até os personagens são rasos, nada é muito bem aproveitado no filme. Nem as cenas de luta adicionam muito ao filme, são bem fraquinhas, puta potencial desperdiçado. O filme ainda tenta emplacar um romance entre Kai e a filha do seu finado mestre, o que acaba sendo mais um elemento fora de lugar ali.

Claro que nem tudo é ruim, visualmente o filme tem momentos muito bons. A ambientação, a forma como as cerimônias são mostradas, tudo isso é realmente muito bonito e acaba sendo a melhor parte de 47 Ronins. Exitem bastante efeitos especiais aqui, que até são elogiados no geral, mas pessoalmente muita coisa não me agradou tanto, como uns demônios com cara de pombo do caralho, mas talvez seja só eu que vejo dessa forma.

Outros dois pontos negativos que eu preciso comentar é que a ideia do filme é mostrar a batalha de 47 homens contra um exército inteiro, e bom, quando a batalha realmente vai acontecer, tudo é tão fácil que nem consegue divertir, ou criar uma tensão. Ou são 47 rambos japoneses, ou o exército do Kira é o pior da história, porque puta merda, acho que podiam mandar só uns 5 ronins que já dariam conta.

A outra coisa que me incomodou muito foi a participação do Zombie Boy, aquele cara que tatuou o corpo todo pra parecer um zumbi, sabe? Então, ele faz parte do filme, teve papel de destaque na divulgação, inclusive no poster oficial ele só não aparece maior que o próprio protagonista. Fui animado pra ver qual era o personagem dele, até o momento que ele pareceu no filme, falou uma frase qualquer e fim. Só isso. Nunca mais aparece. WTF, falaram tanto de zombie boy pra isso?

O filme tem incríveis 14% de aprovação pelos críticos no rotten tomatoes, mas uma aprovação ainda ruim, mas melhorzinha pelo público, de 48%. Se forem assistir, baixem as expectativas, o universo do filme é muito interessante, mas o filme em si não é.

> Vale a pena assistir? Só se você gostar muito do tema “Japão feudal”, porque o filme retrata isso visualmente bem em certos momentos. Caso contrário, só veja se realmente não tiver nada melhor pra fazer.

> Tem no Netflix? Sim, foi adicionado ao catálogo nos últimos dias.

> Seguro ver acompanhado? Sem nenhuma cena muito violenta (o que é até estranho, por ser um filme sobre samurais), e nada inapropriado também. No máximo vão reclamar com você por ter escolhido um filme chato.

> Trailer (melhor que o filme completo, inclusive):