Documentário Mr. Leather que retrata a cena leather gay no Brasil estreia dia 26/05 no país

O filme, que busca desconstruir preconceitos e estereótipos relacionados à cultura do couro e à comunidade fetichista, já foi exibido em festivais na Argentina, na Itália e nos Estados Unidos.

O documentário goiano Mr. Leather tem estreia nacional marcada para o próximo domingo (26), em Goiânia. A exibição faz parte da programação do Festival Internacional de Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás (Digo). A sessão é no Cinema Lumière, do Banana Shopping, às 16h, com entrada é gratuita.

O longa-metragem tem faixa etária de 18 anos e retrata a cena leather no Brasil. A narrativa mostra a história do couro, os diferentes adereços usados e a relação dos adeptos com esse estilo de vida e tudo o que ele envolve, inclusive o fetichismo e a relação com o BDSM. Mas não apenas isso.

O intuito é desmistificar estereótipos de que tudo relacionado ao homoafetismo tenha a ver, necessariamente, com o desejo sexual. As primeiras exibições do filme aconteceram em festivais na Argentina, na Itália e em Miami, nos Estados Unidos.

Segundo crítica publicada pelo Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires (Bafici), “Mr Leather tenta nos passar o ensinamento de que, afinal de contas, todos somos pessoas e merecemos ser respeitados com nossos desejos, fantasias e gostos sexuais”.

Parte das gravações foi feita em 2018, durante a segunda edição do concurso homônimo, que ocorre em São Paulo. Na competição, é eleito o Mr. Leather. O filme acompanha o preparo do Senhor Barbudo, eleito em 2017. E dos quatro candidatos a receber a faixa do concurso: Dom PC, Kake, Deh Leather e Maoriguy. Todos eles participam da sessão em Goiânia, que também tem debate após o filme.

Goianidade

A capital de Goiás foi escolhida para a primeira exibição devido à goianidade do filme, que foi gravado em partes em Catalão e em São Paulo. O diretor, Daniel Nolasco, e a produtora Dafuq Filmes, bem como grande parte da equipe, são goianos.

“Foi também uma decisão tomada com a consciência da importância do cinema goiano, seja dos filmes, dos festivais ou demais eventos daqui. Então, de certa forma, foi também uma decisão política”, explica o diretor. Ele não deixa de mencionar a realidade socioeconômica do País e a necessidade de fomentar a produção cultural fora do eixo do Sudeste.

“Nesse momento em que a situação da cultura se torna crítica em todo o país temos que criar nossas próprias redes de proteção, porque se depender do diálogo com os agentes culturais do eixo Rio-São Paulo, o resto do país e, principalmente o interior, serão os primeiros a morrer de inanição”, ressalta.

Militância e quebra de estereótipos

Com o cuidado de não endossar preconceitos, Daniel Nolasco se aprofundou em estudos estéticos das texturas, cores e códigos visuais envolvendo a cultura do couro no Brasil. “Quando conheci o concurso, ele serviu como um guia para iniciar uma investigação muito profunda sobre os códigos estéticos e visuais que fazem parte dela e dos seus adeptos”, explica o goiano.

Ele ressalta que um dos maiores desafios foi traduzir tudo isso em imagem. “Trazer a riqueza de todos esses pormenores por meio de elementos visual foi um enorme desafio. Principalmente porque eu queria que a estética do filme estivesse em harmonia com os códigos visuais da cultura do couro. Mr. Leather não deixa de ser um filme fetichista, mas ao mesmo tempo ele não pode ser reduzido a isso”, completa.

Outro objetivo foi questionar os padrões de heteronormatividade existentes dentro da cultura gay do leather. O processo de autoconhecimento pelo qual passam os personagens e competidores do concurso é uma das forças de Mr. Leather. Um dos aspectos fortemente abordados por Nolasco foi, ainda, o orgulho existente entre os membros da comunidade gay, adeptos ao couro, e como isso se relaciona com o cinema contemporâneo.

“Acredito que refletir como e porque as estéticas das comunidades fetichistas foram perseguidas também ajuda a entender o porquê se estabeleceu uma estética tão conservadora em relação à representação do sexo e do desejo homoerótico no cinema contemporâneo. Nele, o ‘bom gosto’ é a desculpa primeira para representações extremamente pasteurizadas. E Mr. Leather é exatamente o oposto disso”, finaliza Daniel Nolasco.

Ficha técnica

2019| Brasil | Documentário | 85

Direção e Roteiro: Daniel Nolasco, Produção: Cecília Brito, Direção de Fotografia: Larry Machado, Montagem: Will Domingos, Direção de Som: Guilherme Farkas, Mixagem: Jesse Marmo, Som direto: Tothi Dos Santos, Cor: Antonio Henrique Queiroz, Elenco: Dom Barbudo, Dom PC, Kake, Deh Leather, Maoriguy, Empresa produtora: Dafuq Filmes, Distribuição: Nacional – Olhar Distribuição / Internacional – The Open Reel

Sinopse:

A segunda edição do concurso Mr. Leather Brasil está sendo disputada por Dom PC, Kake, Deh Leather, Maoriguy. O vencedor vai receber a faixa pelas mãos de Dom Barbudo, o primeiro Mr. Leather do país, e terá como tarefa divulgar a cultura do couro durante o próximo ano. O concurso está mexendo com os ânimos da comunidade fetichista gay de São Paulo.

 

 

Informações de acessoria de imprensa.

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