Mestre Marcus: O início de Tudo

Quando já temos alguns anos de prática e relações no meio fetichista (e no meu caso já são 14 anos) é muito fácil se abrir, fazer amigos, fazer práticas, trocar conhecimentos e se sentir parte da comunidade, mas para quem ainda está se descobrindo isso é um grande desafio e é sobre isso que falarei hoje!

 

COMO TUDO COMEÇOU

Lembro-me que meus primeiros pensamentos fetichistas (na época apenas fantasias exóticas e bizarras) vieram em torno dos meus 12 anos e eu não fazia ideia que pudesse existir todo um universo com milhares de pessoas ao redor do mundo que também curtiam essas situações que minha cabeça me permitia criar. Hoje vejo que tive muita sorte em ter vivido toda minha infância e adolescência sem julgar a mim mesmo como uma aberração, situação muito comum entre os fetichistas, que costumam durante muitos anos negarem a si mesmos o seu lado incomum. Sempre honrei meu lado exótico e realmente lido com naturalidade o fato de ser diferente, e isso foi muito bom pra mim. Mas vamos seguir com a história!

Com a internet em seu boom de popularização no Brasil eu aproveitei a onda e fui realmente surfando por todo o canto que eu pude… Para meu espanto, quanto mais eu procurava, mais eu achava conteúdo relacionado as coisas que eu já tinha fantasiado e que nem sequer imaginava serem possíveis… Minhas fantasias agora tinham nomes e termos específicos, algumas tinham até regras, fiquei fascinado, eu fui fundo!

Primeira dica: Pesquise! A internet é uma ferramenta espetacular, basta aprender a usar, é possível achar sites, grupos, comunidades, redes de relacionamento e muito mais, vá a fundo você também!

Foi com 18 anos que minha vida fetichista chegou ao seu primeiro marco importante, saí enfim da fantasia e parti para a realidade, e como foi bom! Descobri que realmente muitas coisas que antes estavam apenas em minha cabeça podiam ser ainda mais prazerosas quando palpáveis… Mas vamos ao detalhe importante para que isso fosse possível: Meu primeiro parceiro fetichista era no caso já meu namorado, e esse detalhe tenho de concordar tornou tudo mais fácil pra mim.

Segunda dica: Não se arrisquem com qualquer um, principalmente se você ainda é novo no meio, uma primeira experiência mal realizada pode ser responsável por encerrar uma vida fetichista e gerar um trauma para sempre! Não precisa ser alguém famoso do universo fetichista, não precisa ser popular, mas procure conhecer a história da pessoa com quem deseja se envolver, busque referências, saiba onde está se metendo antes que possa ser tarde. Há casos tristes demais por aí, não seja mais um, seja responsável.

Ponha toda a sua atenção e cuidado ao marcar sua primeira experiência, seja na prática que for, envolvendo BDSM ou não. Todo início é importante e este não é diferente, por mais clichê que seja, pense que só há uma primeira vez (a não ser que pense em cada prática individualmente, nesse caso você pode ter várias primeiras vezes hehehe) e ela deve ser especial. Escolha bem o parceiro, o local e todas as circunstâncias envolvidas, incluindo a sua segurança e integridade.

Iniciar nas práticas fetichistas te abre portas, e você vai querer sempre mais! Paciência sempre e prudência! Após o primeiro passo você verá que toda a ansiedade que sentia antes será substituída por novas oportunidades que poderá ter, amigos que fará e um mundo novo a explorar. E se você ainda não conseguiu ultrapassar essa barreira e ter o seu início, não se sinta mal, tudo tem seu tempo, não se apresse, quando estiver preparado vai acontecer e vai ser bom!

 

SOBRE O INÍCIO DESTA COLUNA

Quando me convidaram a compor a equipe de colunistas do BLUBR me senti honrado em poder compartilhar com vocês o meu modo de ver as coisas com as quais lido no meio fetichista.

Os temas discutidos aqui virão sempre de sugestões dadas através das minhas redes sociais (links no final do texto), então encorajo a todos que continuem interagindo, dando suas sugestões, críticas e elogios para que tenhamos sempre conteúdo relevante e com temas quentes e que abram espaço para reflexão e diálogo.

Desde já também deixo meu apelo para que nunca se esqueçam que apesar de tudo o que curtimos, usamos e fazemos há sempre um ser humano por baixo! Portanto sejam gentis uns com os outros! Até breve! M.M.

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